Nesta semana, o GLOBO abre espaço para as ideias dos principais concorrentes às duas vagas ao Senado por São Paulo. O ex-secretário de Segurança Guilherme Derrite (PP) defende o modelo de El Salvador contra o crime e nega que a classificação de facções como terroristas serviria de pretexto a uma intervenção estrangeira no Brasil.
Marina Silva: ‘Espero que o povo dê o troco nos negacionistas’
André do Prado: ‘Alcolumbre não tem mais condições de presidir o Senado’
Assista à entrevista:
Flávio Bolsonaro promete um Ministério da Segurança Pública. O senhor almeja ocupá-lo?
Não parei para pensar nisso ainda. Ajudei a elaborar o plano de segurança dele, mas não foi com nenhuma intenção. Quero que o Brasil deixe de ser o paraíso da impunidade.
El Salvador reduziu a taxa de homicídios, mas impôs restrição a direitos civis, prisões em massa etc. Defende este modelo para o Brasil?
As pessoas falam muito sem conhecer El Salvador. Eu estive lá, fiquei uma semana. Era o país mais violento do mundo e se tornou um dos mais seguros. Quando Nayib Bukele assumiu, algumas medidas drásticas foram tomadas. O presidente decretou um regime de exceção. Aí vem o questionamento de órgãos internacionais. Agora, tem outro lado: ele tem 93% de aprovação.
Que medidas de exceção adotaria aqui?
Não sei. Não defendo nenhuma medida de exceção. Defendo a reforma das leis. Quantos criminosos são presos e logo estão em liberdade? O índice de reincidência no Brasil é altíssimo.
O senhor critica as audiências de custódia. O que mais mudaria na lei?
A redução da maioridade penal é urgente. O Brasil se tornou um solo fértil para criminosos. Saidinha temporária de preso, auxílio-reclusão, visita íntima, progressão de regime…
O presidente Lula se opõe a classificar facções criminosas como terroristas. Diz que isso pode criar riscos à soberania e servir de pretexto a uma intervenção estrangeira. Concorda?
Não. Isso foi uma ilação do governo Lula. Os EUA não podem realizar operações militares no Brasil. Pergunto a você, que é do Rio: qual é a nossa soberania quando o Comando Vermelho e as milícias controlam territórios?
O ex-governador Cláudio Castro (PL) defendeu a classificação, mas a PF descobriu infiltração do Comando Vermelho no grupo político dele…
Não sei, não sou do Rio. Você pode explicar? Ainda bem que tem um carioca aqui.
Em São Paulo, há suspeita de infiltração do PCC na polícia. Um comandante da PM nomeado pelo senhor foi citado em investigações.
Tudo o que acontece em São Paulo foi feito pelas corregedorias, que, na nossa gestão (na Secretaria de Segurança do Estado), tiveram independência e autonomia. Todos os casos de má conduta foram apurados. Se o coronel tiver culpa, terá que pagar.
Sua gestão registrou queda de homicídios, mas também um grande aumento da letalidade policial. A polícia recebeu licença para matar?
O termo letalidade policial não existe. É pejorativo. O policial sai de casa para defender a sociedade. Não sai querendo matar.
Letalidade policial é um termo técnico, citado em relatórios. Segundo dados oficiais, em 2022 a polícia de SP foi responsável por 275 mortes. Em 2024, o número saltou para 676…
O policial é a primeira vítima. Ele se defende. Ele não é o agente da morte, a não ser que tenham sido 275 execuções.
Houve dezenas de mortes em poucos dias na Baixada Santista. Nenhuma foi por execução?
Mais de 90% dos casos já foram arquivados pelo Ministério Público. Vocês colocam o policial como se fosse o vilão. O policial é herói, arrisca a vida em defesa da sociedade.
O senhor já disse que saiu da Rota porque ‘matou muito ladrão’. Isso não reforça a ideia de que sua polícia tinha licença para matar?
É você que está falando isso?
Por que foi afastado da Rota então?
Porque cumpri o juramento de defender a sociedade e arrisquei minha vida inúmeras vezes. Não fui expulso da Rota. Fui transferido, como qualquer policial pode ser por decisão administrativa do comandante.
O senhor disse a um podcast que houve uma ordem de cima: ‘Tira o Derrite da Rota.’ Por quê?
Porque na época tinha um governo que que punia o policial que arriscava a vida. Mas não fui punido, não fui expulso. Fui transferido. Nos EUA ou em qualquer país sério, seria homenageado. Receberia uma medalha.
É favorável a impeachment de ministros do STF?
Sou. Antes de falar de impeachment, precisamos de um presidente do Senado de direita. E que não seja o Davi Alclumbre, porque existem indícios de que também tem algum tipo de envolvimento com Daniel Vorcaro.
Alcolumbre é do União Brasil, federado ao seu partido, o PP…
O que tenho a ver com o Amapá? Sou de São Paulo. Jamais votaria nele para presidente do Senado. Por que não abrir a CPI do Master?
Uma das razões é o envolvimento de figuras influentes como o senador Ciro Nogueira, presidente do seu partido.
Se ele cometeu algum erro, tem que ser responsabilizado. Sou Guilherme Derrite, respondo pelo meu CPF.
Entrevista: 'Não fui expulso da Rota, fui transferido. Nos EUA, receberia medalha', diz Guilherme Derrite; assista
