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setembro 24, 2026
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Governadores próximos a Flávio enfileiram acenos aos eleitores de Lula nos estados

Por · setembro 24, 2026
Governadores próximos a Flávio enfileiram acenos aos eleitores de Lula nos estados


A dez dias do primeiro turno, candidatos a governador alinhados a Flávio Bolsonaro (PL) e que lideram as disputas em seus estados intensificaram uma estratégia para ampliar suas vantagens: conquistar também eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mesmo mantendo o apoio ao presidenciável do PL, nomes como Cleitinho Azevedo (Republicanos), em Minas Gerais, e Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo, fazem acenos a lulistas.
A movimentação ganha peso à medida que as campanhas fazem as contas para tentar encerrar as disputas estaduais já no primeiro turno. Depois de consolidar boa parte do eleitorado de direita, aliados enxergam espaço para avançar entre eleitores que não necessariamente repetem no estado a escolha feita para o Palácio do Planalto.
A estratégia convive com demonstrações públicas de apoio a Flávio. Nesta quarta-feira, Tarcísio participou de uma live ao lado do presidenciável e gravou material para seu horário eleitoral. Mais tarde, Sergio Moro (PL), candidato ao governo do Paraná, também apareceu com Flávio em uma transmissão da TV Celular, da campanha do PL.
Em Minas, o movimento é mais explícito. Líder da corrida pelo governo, Cleitinho tem transformado encontros com eleitores de Lula em peças de campanha. Durante passagem por Tupaciguara, no Triângulo Mineiro, o senador abraçou um eleitor petista que havia ido ao comício e anunciado que votaria nele para governador.
— Eu sou petista de coração, mas gosto de você, vou votar em você — disse o eleitor.
— Eu sou de direita, mas meu coração é para todos. Meu governo vai ser para todos — respondeu Cleitinho.
O episódio foi parar nas redes do candidato e reforçou uma imagem que seus auxiliares querem explorar nesta reta final, a de um político de direita capaz de atravessar a polarização nacional. Outros encontros com eleitores que declaram voto em Lula também passaram a ser divulgados.
Pesquisas da própria campanha apontam que cerca de um terço dos eleitores de Cleitinho declara voto em Lula para presidente. Nos bastidores, auxiliares enxergam nesse grupo uma das possibilidades de expansão do candidato.
A Quaest divulgada nesta quarta-feira ajuda a dimensionar esse espaço. Lula liderava a corrida presidencial em Minas, com 35%, contra 30% de Flávio. Na disputa pelo governo, porém, Cleitinho aparecia na frente, com 37%, enquanto Patrus Ananias, candidato do PT, tinha 16%.
No horário eleitoral, Cleitinho praticamente não menciona Flávio e aposta em um discurso conciliador. Ao mesmo tempo, mantém pontes com o bolsonarismo mineiro e, nesta semana, dividiu agenda com Domingos Sávio, candidato do PL ao Senado. A situação é peculiar porque o PL tem candidato próprio ao governo, o empresário Flávio Roscoe, que aparece atrás do senador nas pesquisas. Flávio já tratou os dois como palanques de sua candidatura no estado.
Campanha mapeia o ‘TarLula’ em São Paulo
Em São Paulo, o voto cruzado passou a integrar o planejamento territorial da campanha de Tarcísio. Auxiliares cruzaram resultados das eleições de 2022 e 2024 para identificar regiões com espaço para expansão e encontraram um eleitor que passou a ser chamado nos bastidores de “TarLula”: aquele que escolhe Tarcísio para governador e Lula para presidente.
A Quaest divulgada nesta quarta-feira deu dimensão ao fenômeno.Tarcísio tinha 44% na corrida estadual, contra 27% de Fernando Haddad (PT), enquanto Flávio e Lula estavam tecnicamente empatados no estado na eleição presidencial, com 34% e 31%, respectivamente.
Haddad tentou disputar a interpretação sobre o “TarLula” e afirmou que o comportamento deveria ser lido mais como rejeição a Flávio do que como adesão de lulistas a Tarcísio. Para aliados do governador, independentemente da motivação, esse contingente representa uma reserva importante de votos para tentar evitar o segundo turno.
O próprio Tarcísio já reconheceu publicamente a import desse eleitorado:
— A gente acaba capturando também votos de pessoas que estão pensando na Presidência da República no outro candidato, mas a gente aqui vai estar junto do Flávio.
Nesta quarta-feira, o governador reforçou a segunda parte da equação. Ao lado de Flávio, disse que a campanha do senador estava “pegando fermento”, pediu a eleitores indecisos que apoiem o candidato do PL e gravou material para seu horário eleitoral.
A campanha paulista, porém, evita transformar a eleição presidencial no centro da disputa estadual. A avaliação é que uma nacionalização excessiva pode afastar justamente eleitores conquistados para além da direita. Em uma passagem conjunta de Flávio e Tarcísio por São Carlos, no início do mês, por exemplo, havia poucos banners do presidenciável ao longo do trajeto e o jingle do governador tocou mais vezes que o de Flávio.
Para a campanha presidencial, esse eleitorado também representa uma oportunidade. Tarcísio alcança paulistas que Flávio ainda não conquistou, e a aposta é que sua participação mais intensa na reta final possa reduzir a resistência ao presidenciável e converter parte do “TarLula” em voto casado.
Moro busca ampliar fronteiras no Paraná
No Paraná, Sergio Moro (PL) também lidera a disputa pelo governo, mas busca ampliar sua base por outro caminho. A Quaest divulgada em 24 de agosto mostrou o ex-juiz com 37% das intenções de voto, contra 21% de Requião Filho (PDT) e 15% de Sandro Alex (PSD).
Não há, até agora, uma operação semelhante à de Cleitinho e Tarcísio direcionada aos eleitores de Lula. Moro mantém associação mais direta com Flávio, reforçada nesta quarta-feira, quando participou, ao lado de Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL), de uma transmissão da TV Celular com o presidenciável.
Sua tentativa de avançar para além do eleitorado bolsonarista passa principalmente pela associação com a gestão de Ratinho Junior (PSD), que tem índices elevados de aprovação. Embora o governador apoie Sandro Alex e tenha escalado os ataques contra Moro, o ex-juiz evita responder na mesma intensidade e procura se apresentar como continuidade de políticas bem avaliadas da atual gestão.
Os movimentos estaduais contrastam com a operação de Flávio na disputa presidencial. Nos últimos dias, o candidato do PL intensificou o apelo pelo voto útil entre eleitores antipetistas que ainda apoiam Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão), numa tentativa de concentrar o voto da direita.
Para seus aliados nos estados, a matemática é outra. Quem já consolidou a direita precisa buscar votos adicionais para ultrapassar a barreira dos 50% dos votos válidos. Assim, enquanto Flávio tenta concentrar seu campo político na corrida presidencial, candidatos competitivos nos estados procuram alargar suas bases.

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